Conte-me mais: feijoada tem que ser no sabadão

Mais uma semana se passou, e logo após uma sexta linda regada a risoto, almôndegas feitas pela amiga que leu no blog e ficou com lombriguinha, e brigadeirão delícia da outra amiga, tudo isso sem combinar, fui passar minha manhã de sábado fazendo uma das coisas que eu mais gosto por aqui: fazer compras no meu, no seu, no nosso Mercadão da Lapa.

Decidida a fazer uma feijoada em homenagem ao sol e frio ao mesmo tempo, lá fui eu pro Shopping da Alimentação. Acontece que pra mim, feijuca boa é feijuca com amigos. Então tratei logo de chamar as sisters de SP pra sentir a travada do tempero do interior. page 01

A Casa da Feijoada, no Mercadão da Lapa, estava bombando. Pessoas pegavam quilos de carne suína com as mãos, e pesavam 5, 10 quilos ou mais, de pé, orelha e outras extremidades que eu não sou muito chegada. Fila, muita fila. Confusão, babado, gritaria. Quem não gosta?

Levei calabresa apimentada, um saco de feijão argentino, paio e carne seca. Essa conta deu 18 reais. Na hortifruti logo ao lado, adquiri uma couve já fatiadinha bem fininha por R$2,50. Ou seja, uma feijoada mais ligth, custou pouco mais de vintola, por que eu ESQUECI DO BACON e comprei no Extra, mesmo. (Como pude esquecer do BACON?).

O impressionante foi que comeram 6 pessoas. Algumas 3, outras 2 vezes (será que tava bom?). E ainda sobrou. Ficou prime (porque TOP tá muito mainstream) e o melhor: inesquecível. Só elogios. A caipirinha não podia faltar. Tratei logo de abraçar uma Pitu, e uns limões. Fiquei – e cada dia fico mais convicta de que comprar lá é a maior vantagem do planeta. Depois foi picar tudo, fritar, esperar o feijão ficar legal, e deixar ela borbulhando de amor pela família! Arroz branco e farofa pra somar, e foi tudo nosso.

Os amigos, aos poucos foram chegando, as risadas foram fluindo, e assim passamos nosso sábado de maneira típica, comendo o mais tradicional dos pratos brasileiros, a feijoadinha da hora. Agora me fala, tem coisa melhor do que boa comida, caipirinha, amigos, samba e risada? Tudo bem que a maioria das pessoas não curte segunda-feira, mas sinceramente, com um sábado como esse, é melhor focar no trabalho, agora, para virem outros tão bons quanto.

Hambúrguer AND de maminha ao gorgonzola

Sexta-feira é dia de caprichar, né? Tem mulher que curte caprichar no visual e arrasar na pista. Sou mais caprichar no tempero e arrasar no fogão.

Aproveitando o último resquício da minha compra no Mercadão da Lapa, meia peça de maminha, resolvi deixar ela como ponto alto do meu jantar, e fazer uns hambúrgueres, com metade de um gorgonzola, também de semana passada.

Essa semana eu comprei uns ovinhos de codorna, que não foram todos consumidos. Aproveitei e vi uma receita de ovos à milanesa, no site do Edu Guedes, e resolvi adaptar.  As batatas também foram usadas na semana, em 3 partes, para fechar o esquema, e foram ao forno por 40 minutos com azeite e alecrim. Parece chique pra você? Mas não é não.  São coisas que eu já tinha. Uma pro macarrão, outras pro feijão com arroz nosso de cada dia, mas a maminha confesso, que, assim como o fusilli eu deixei pro final, pra ser especial mesmo. O que eu precisei comprar foi a farinha de rosca, o alecrim, o pão e o vinho, por que afinal, hoje é sexta. Imagem

Pra fazer um hambúrguer e chamar de seu você pode usar qualquer carne, usando um moedor ou processador, ou comprando moída. Não foi meu caso. Os grandes chefes usam a ponta da faca, e você paga 43 reais pelo prato. Eu uso a ponta da faca porque não há outra opção e pago 10. 🙂

Carne picada/moída/triturada, adicionar alho, cebola e salsinha bem picadinhos, pimenta do reino e sal a gosto. Eu aprendi com vovó, que fazia hambúrgueres e congelava na lá na pré-história, a colocar gema e caldo de cebola em pó na receita. No meu caso eu usei uma pitadinha de farinha só pra dar uma liga mais a gema.

Quando tiver misturado, você vai sentir uma leve impressão de que tudo foi pro espaço. Mas aperta. Aperta como se você estivesse apertando o que você mais gosta de apertar (aqui, sou a favor da diversidade). Aí sim, molda no estilo cachorro, bem grande, e alto. Eu deixei no freezer por um tempo, pra ficar firmão. Selei na frigideira e finalizei no forno, já na parte debaixo do pão, e deixei por uns 20 minutos. O gonrgonzola eu coloquei por mais 5 minutinhos. Na tampa do pão eu aproveitei a clara, pois nada deve ser desperdiçado, e dei uma pincelada com clara e parmesão. Imagem

Só não espere que ele vá ficar como sola de sapato por dentro, porque para comer o VERDADEIRO hambúrguer tem que ter culhões. Geralmente o ponto é rosado por dentro, e você não morre por isso. Faz seu Mr. Ham, manda pra mimmmmm e deixe o The Fifties no passado.

Você só não sabia o que era, mas já comeu ragú

ImagemPor que um blog que leva no nome “ovo frito” não começa com uma receita que leva o tal ingrediente? Pergunta agora o leitor.

Acontece que no começo do mês (bons tempos, bons tempos) eu fiz uma compra no Mercadão Municipal da Lapa, aqui em SP. E nela estava essa maravilhosa massa caseira, comprada no Empório Diamante da Lapa (box 48). Ainda há alguns resquícios da compra, e esse foi um deles.

Aí eu pensei, pô, vou fazer com um molho bem bacana, afinal, essa massa desperta a parte do meu ser herdada pela parte materna: a italiana. Eu cresci abrindo gigantescas massas italianas com vovó. Era um momento só nosso. Lembro como se fosse hoje.

E de prima pensei em fazer um molho ao sugo caseiro, que bastaria, e tornaria a massa em si a patroa da situação. Logo, me lembrei que outro ser habita minha vida. E é homem. Portanto, uma carninha é sempre bem vinda, pra dar aquela “sustância”.

O ragú nada mais é do que a carne cozida no molho por um bom tempo. E existem dois principais tipos: o bolonhesa e o napolitano. Bolonhesa? Não quis. Sempre que pensamos em molho de macarrão + carne vem logo o bolonhesa.

Aí eu lembrei da vó de novo… preparando aqueles cubos maiores de carne na pressão (moderna, hem), que desfiavam no molho, e que se colocava no pãozinho, escondida, antes do almoço. Esse tipo o wikipedia chama de napolitano.

Mas aqui, eu chamo bolonhesa de bolonhesa, e ragú de ragú. Podemos fechar assim? E é tão barato quanto a carne moída, mas o preparo e o corte da carne são diferentes. Apenas.

Depois de comer, eu tive aquela sensação de que vovó tava aqui pertinho. E sempre que faço uma massa comum ou uma massa “bala na agulha” eu sinto isso. Vai ver que esse é o motivo pelo qual eu ame tanto preparar todas as massas possíveis do mundo todo, sem enjoar.

E se você acha que a poesia acaba aí, se enganou. Quem disse que não vai ovo na massa do macarrão? Água, farinha e ovo. Tem coisa mais poética, mais antiga e tão delícia?

A primeira receita do Blog da OFE tem um sabor a mais: o de estreia. Espero que gostem, pois estamos aqui para melhor atende-los.

Fusilli da Lapa com molho ragú

Receita básica pra fazer enquanto você trabalha no PC ou joga Cand Crush Saga.

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Eu quis usar esse fusilli – que é uma massa furadinha no meio, mas você pode usar a massa que preferir. Dê preferência por massas longas, como espaguetti, espaguetini, talharine. Pro o ragú a mesma coisa, eu usei coxão mole – que veja só a diferença, no Extra eles generalizam como CARNE PARA MOLHO, mas você pode usar acém, e até músculo.

Eu usei 300 gramas de carne, pra uma refeição para duas pessoas e 400 gramas de massa.

Tão simples, tão simples que eu só joguei a carne na panela de pressão, com uma caixa de polpa de tomate, meia cebola, 3 dentes de alho, uma pitada de sal e pimenta do reino e manjericão desidratado e esperei 40 minutos enquanto trabalhava.

Se você preferir usar mais temperos ou molho de tomate também rola, mas eu prefiro variar nesse caso, por um motivo: coloco meu tempero a gosto, e a polpa pega melhor o sabor da carne.

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Depois eu acertei o tempero com 2 colheres de extrato, pra engrossar, acrescentei salsinha picada a modo grosso e açúcar, pra tirar a acidez. Deixei cozinhar por mais 15 minutos. Até a carne não chegar a desfiar, mas ficar bem macia.

Cozinhei a massa por 8 minutos. E pum, só deu um trabalho depois que escorreu, porque pra não quebrar eu tirei fio por fio. Reguei com molho, joguei um parmesão ralado e prontinho!

Obs.: essa não é uma receita precisa. Foi precisa pra mim, mas as vezes pode não ser pra você. É uma base pra você inventar a sua. E, se você fizer e ficar legal me manda uma foto, pô, eu publico aqui e compartilho o feito com a galêre.

Beijos