Conte-me mais: festa italiana (caseira) de Nossa Sra. de Achiropita

achiropita1Todos os anos, o bairro do Bixiga, aqui em São Paulo, recebe a famosa festa de rua, em procissão a N. Sra. de Achiropita. O início da Festa de N. Sra Achiropita foi no começo do século XX, quando os primeiros imigrantes chegaram ao Bixiga. A síntese, é que os fieis precisaram de mais grana para construir uma igreja para a santa, e para isso, iniciaram a quermesse, durante o mês de agosto.

Era costume minha avó exclamar: “ah minha Nossa Senhora da Achiropita!”, como as pessoas falam “ai meu Deus”, ou apenas “ai minha nossa senhora”. E por essa influência eu sempre tive vontade de freqüentar essa festa, que segundo minha avó, era regada a macarrão, boa música italiana e muito vinho.

Por coincidência, Danilo também tinha curiosidade de conhecer, então assim que soubemos do início da festa nesse sábado, ficamos extasiados. Ligamos para saber o valor do ingresso: 80 Dilmas. O que? Oitenta reais numa festa para uma santa? Realmente não estava no nosso orçamento, gastar 160 para sorrir, e ouvir música italiana ao vivo. Por se tratar de uma comunidade italiana, também me decepcionei com o cardápio.achiropita2

Ok, esse valor era para a festa no clube, e a festa de rua não cobrava nada. Mas algumas pessoas que já foram, me disseram que não valia a pena, tanto pelo chute na comida, quanto pela demora, devido ao excesso de gente. Quem sabe um dia eu ainda vá, não tenho o sentimento de desprezo, de maneira alguma, acontece, que no momento, de fato não houve interesse.

Por fim decidi: vou fazer minha “própria festa” (tendo eu, já tem festa, saca?) superando as receitas, e gastando, muito, muito menos. E foi o que fiz. Vesti minha calça vermelha, um colete branco sob uma blusinha verde, trajando a bandeira da Itália, e fiz o seguinte cardápio:

– Bruschetta

– Pasteis de mussarela e calabresa

– Rondelli de ricota com espinafre ao sugo;

– Palha italiana.

No mercado, sem contar com o rondelli, o total deu 35 reais. Sendo que sobrou um pouco ou muito de tudo, como calabresa, mussarela, tomate, massa de pastel, por exemplo. O rondelli foi um investimento alto, mas que super valeu a pena.  Uma das melhores massas caseiras recheadas que eu comprei e comi na vida. R$18 o quilo no Empório Diamante, Mercado da Lapa (amado). Usei meio. O molho eu já tinha, foi uma passata de tomate que eu ganhei de presente, então não contei.

italiana final

Sendo que o rondelli já estava pronto e os pasteis eram massa de mercado, sendo preparos automáticos, eu precisei me “dedicar” de verdade no preparo, da entrada e da sobremesa.

Bora lá?

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Você só não sabia o que era, mas já comeu ragú

ImagemPor que um blog que leva no nome “ovo frito” não começa com uma receita que leva o tal ingrediente? Pergunta agora o leitor.

Acontece que no começo do mês (bons tempos, bons tempos) eu fiz uma compra no Mercadão Municipal da Lapa, aqui em SP. E nela estava essa maravilhosa massa caseira, comprada no Empório Diamante da Lapa (box 48). Ainda há alguns resquícios da compra, e esse foi um deles.

Aí eu pensei, pô, vou fazer com um molho bem bacana, afinal, essa massa desperta a parte do meu ser herdada pela parte materna: a italiana. Eu cresci abrindo gigantescas massas italianas com vovó. Era um momento só nosso. Lembro como se fosse hoje.

E de prima pensei em fazer um molho ao sugo caseiro, que bastaria, e tornaria a massa em si a patroa da situação. Logo, me lembrei que outro ser habita minha vida. E é homem. Portanto, uma carninha é sempre bem vinda, pra dar aquela “sustância”.

O ragú nada mais é do que a carne cozida no molho por um bom tempo. E existem dois principais tipos: o bolonhesa e o napolitano. Bolonhesa? Não quis. Sempre que pensamos em molho de macarrão + carne vem logo o bolonhesa.

Aí eu lembrei da vó de novo… preparando aqueles cubos maiores de carne na pressão (moderna, hem), que desfiavam no molho, e que se colocava no pãozinho, escondida, antes do almoço. Esse tipo o wikipedia chama de napolitano.

Mas aqui, eu chamo bolonhesa de bolonhesa, e ragú de ragú. Podemos fechar assim? E é tão barato quanto a carne moída, mas o preparo e o corte da carne são diferentes. Apenas.

Depois de comer, eu tive aquela sensação de que vovó tava aqui pertinho. E sempre que faço uma massa comum ou uma massa “bala na agulha” eu sinto isso. Vai ver que esse é o motivo pelo qual eu ame tanto preparar todas as massas possíveis do mundo todo, sem enjoar.

E se você acha que a poesia acaba aí, se enganou. Quem disse que não vai ovo na massa do macarrão? Água, farinha e ovo. Tem coisa mais poética, mais antiga e tão delícia?

A primeira receita do Blog da OFE tem um sabor a mais: o de estreia. Espero que gostem, pois estamos aqui para melhor atende-los.